
Quanto menos eu,
mais Você
(a arte do bom monólogo)
S
i l v i a S c h m i d t

Nos monólogos
falados ou escritos, quanto mais usamos
a palavra "eu",
menos valorizamos quem nos escuta ou
lê.
É que o outro passa a ser apenas nosso ouvinte,
nosso espectador.
Parece estar aí a razão de vermos tantas pessoas
"falando sozinhas" e, quem as ouve, tem geralmente
aquele
vago olhar desatento e distraído.
Note a frase "eu necessito
muito de você".
Nessa frase, por exemplo, quem fala é a "estrela"
da cena.
Note agora a frase: " você
me é muito necessário
".
Percebe que quem escuta passa a dominar a
cena?
Isso vale para todas - ou quase todas - as
situações.
Sempre que usamos demais o pronome "eu",
a tendência
é que se perca o interesse de quem nos escuta.
Afinal, ele está sendo - sem nenhum respeito
-
reduzido a um par de orelhas, como dois enormes
baldes transbordantes de "eus".
Já que tudo que transborda é um excesso para
o recipiente,
assim se perdem todas aquelas exageradas "conferências"
do ego, sedento de atenção e recheadinho de
egoismo.
Nunca paramos para observar isso e, talvez
por isso mesmo,
é que bem frequentemente deixamos de receber
a atenção
que gostaríamos de ter das pessoas.
É tão agradável alguém falando sobre nós
e não só sobre si mesmo o tempo todo, não
é?
Que tal usarmos mais o "você"
e menos o "eu"
em nossos monólogos?
É bem provável que tenhamos a grata surpresa
de ver-nos rodeados
de gente interessada em ouvir o que temos
a dizer sobre nós
mesmos.
É uma questão de atração
pelo mistério.
Há um programa de TV com o nome de "Mais
Você",
e sempre fazendo muito sucesso.
Será que ele teria tantos simpatizantes se
o nome fosse "Mais Eu"?
Pense, repense ... e passe prá
frente!
S i l v i a S c h
m i d t
SP/SP
- 15 / 10 / 2004
Direitos Autorais Protegidos
Copyright ©2004
Versão
em Espanhol
por
Eduardo e Irany Lecea
CIMEXBRA
- Consultoria Internacional México-Brasil
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