
© Silvia
Schmidt ©
 |
Nós todos nos sentimos sós
de vez em quando.
Mas existe aquele tipo de solidão que parece nunca há
de passar.
As pessoas que nos cercam mostram-se muito envolvidas
com seus afazeres, muito ocupadas para dar-nos atenção.
Algumas vezes elas vêm a nós, mas logo
se vão:
há muitas coisas que elas precisam providenciar,
resolver, fazer.
É nessas horas que caímos em poços de silêncio, de
frustradas
esperas por socorro, de desapontamento e descrença.
Em torno de nós nossos objetos inanimados nem notados são.
Temos a sensação de sermos a única "peça"
viva
nesta imensa e deserta ilha chamada Mundo.
Aquela impressão de abandono parece ser nossa única
companhia.
Misturamos e confundimos nossos sentimentos:
ora é raiva, ora é decepção, ora é amargura,
ora é vontade de desaparecer de vez!
Porém, nunca paramos para notar
que tudo isso ocorre porque
apoiamos uma ' mimada criança ' dentro
de nós.
Pois é ...
é ela que nos fere e nos angustía, a
ponto de desabarmos,
envolvidos com as mais profundas depressões.
Se ensinarmos a ela que
o mundo não está aí para adaptar-se
a nós, mas para nos adaptarmos a ele, ela
deixará de
fazer tanta bagunça em nosso mundo interior.
Ela
compreenderá que suas tristezas não são únicas,
que sua felicidade nem sempre pode depender de
terceiros,
e que eles também têm iguais ou
maiores necessidades.
Educando nossa criança interior,
por nós tão mimada,
conviveremos com ela sem lutas contra o mundo,
sem rancores por ninguém, sem ressentimentos
e mágoas que tanto nos perturbam e fazem mal.
De
repente, um dia nos veremos doces, amáveis,
desejando mais oferecer do que receber.
É nesse dia que já não mais precisaremos cobrar nada
de ninguém e aquilo de que realmente precisarmos chegará
a nós sem que façamos qualquer esforço ou exigência.
Não seria bom educarmos nossa "criancinha"
mimada e bagunceira?
Que tal darmos a ela a chance de tornar-se
grande, sem perder a
candura, a pureza e a inocência dos despreocupados
tempos da infância?
Que bênção será podermos brincar com ela
e com
benfazejos amigos que, por lei de atração,
se aproximarão de nós!
E adeus, solidão! Adeus, depressão! Adeus, decepções!
A alegria de viver é nossa
por direito e não depende dos outros.
As coisas que desejamos já estão prontas em algum lugar.
E na hora certa, determinada por Deus,
elas pousarão bem nas palmas das nossas mãos!

Silvia
Schmidt
*Humancat*
No livro " Sorte É Prá Quem Quer
"
- direitos autorais reservados -
© 2000 ©
Edição
Musical : Udo Erwin Franz
|
|